Frantz Fanon - Ciclo de Cinema 2026
Descrição
Dando continuidade à celebração do centenário do nascimento de Frantz Fanon, este ciclo propõe refletir sobre os seus múltiplos legados, desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra – intimamente entrelaçada com as duas outras vertentes.
Já na sua primeira obra Pele negra, máscaras brancas (1952), o cinema ocupa um espaço marginal mas não menos decisivo no que diz respeito a questões de representação, tendo um lugar central nas terapias alternativas que Fanon viria a introduzir no Hospital Psiquiátrico de Blida-Joinville, na Argélia, enquanto Médico-chefe de serviço entre 1953 e 1956.
A leitura de Fanon revela-se fundamental não só para a compreensão do contexto histórico em que surgiu, com as suas ramificações entre os movimentos de libertação e as causas do chamado Terceiro Mundo nas décadas de 1960 e 1970, mas sobretudo na luta pelos direitos de grupos racializados. Todas estas questões voltam a ecoar no século XXI, quer em movimentos sociais que reivindicam uma cidadania efectivamente igualitária, quer na discussão sobre a urgência da descolonização dos saberes e das instituições. Como ler Fanon, hoje, a partir de Portugal? Qual o papel das instituições e dos diferentes movimentos na sua recepção? Qual a relevância da sua obra para a nossa contemporaneidade, tendo em conta a complexidade das suas diferentes vertentes – anticolonial, anti-racista, terapêutica – e a reivindicação para se “sair da grande noite” do colonialismo? À projecção dos filmes segue-se uma conversa com convidados e debate.
Sessão 1
Sábado 17 Janeiro 16:00
Chroniques fidèles survenues au siècle dernier à l’hôpital psychiatrique Blida-Joinville, Abdenour Zahzah, Algeria, França, 2024, 90’ 1953, Argélia colonizada. Frantz Fanon, um jovem psiquiatra negro da Martinica, é nomeado médico-chefe do Hospital de Blida-Joinville. Ao pôr em prática as suas teorias de “psicoterapia institucional”, em oposição às teorias racistas da Escola de Psiquiatria de Argel, uma guerra irrompe dentro das próprias enfermarias. Esta longa-metragem centra-se nos métodos visionários de terapia social de Frantz Fanon durante período em que trabalhou como psiquiatra na Argélia, entre 1953 e 1956.
Informação do Local
Casa do Comum
- Rua
- Rua da Rosa
- Cidade
- 1200-383 Lisboa
- Concelho
- Lisboa
- País
- Portugal
A Casa do Comum, projecto da Ler Devagar e imaginado por José Pinho, inaugurado a 31 de Outubro de 2023, no Bairro Alto, é um espaço que se propõe como um ponto de encontro da cidade com a cultura.
Num edifício com 3 pisos coexistem uma sala de espectáculos com possibilidade de apresentação de cinema, artes performativas, concertos e conferências, uma livraria generalista, uma livraria alfarrabista e um bar, devolvendo ao Bairro Alto a sua participação na cena cultural da cidade e restituindo aos residentes da cidade um espaço que alia a fruição cultural à vida social no centro histórico.
É um espaço pluridisciplinar de programação independente, aberta ao risco mas também à revisitação; um lugar que não estabelece hierarquias entre modos de expressão artística mas antes imagina coexistências, convergências e tensões. É um espaço atento às grandes questões da cidade e do mundo, sensível às preocupações de artistas e lugar de reflexão, partilha e acção.